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Segurança ao fazer seus investimentos: conheça os riscos das aplicações

Posted by Gloria Maciel on 15/ago/2016 17:05:21

Você conhece os riscos envolvidos nas principais aplicações conservadoras existentes no Brasil hoje em dia? Se você pensou apenas na possibilidade de uma instituição financeira quebrar (algo que já foi muito mais comum no passado), saiba que alguns outros aspectos merecem atenção.

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Como destaque, vale citar o risco de retornos abaixo da inflação (caso da poupança) e a segurança envolvida no investimento em títulos públicos, que tem garantia do Tesouro Nacional – a chance de o governo quebrar é muito menor que a de um banco, e isso é bem óbvio.

Vejamos, portanto, os principais pontos que tratam dos riscos das aplicações e, por fim, uma palavrinha sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Riscos do Tesouro Direto

Os títulos públicos representam a possibilidade de financiar o país. O Tesouro Direto abriu para a pessoa física a oportunidade de emprestar seu dinheiro ao governo de forma direta, recebendo uma remuneração (pré ou pós-fixada) por isso (juros).

A ideia é simples: financiar a dívida pública nacional, ou seja, investir em títulos públicos para que o dinheiro captado seja usado em melhorias e no desenvolvimento do país. Os juros pagos ao investidor são bem generosos, muito acima da rentabilidade de alternativas como fundos de renda fixa com elevadas taxas de administração e poupança.

Os riscos envolvidos no investimento em títulos públicos são:

  • Risco de crédito. Em uma escala de risco, a entidade mais segura de uma economia sempre será o Tesouro, que representa o próprio país. A capacidade de se financiar é muito maior no Estado que em uma instituição financeira, portanto o risco de crédito é o mais baixo quando comparado com outras aplicações. Por ter justamente a garantia do Tesouro Nacional, os títulos públicos não precisam de garantia privada, e por essa razão não possuem cobertura do FGC;

  • Risco de mercado. As oscilações nos preços de compra e venda de alguns títulos existem porque a definição da taxa básica de juros e aspectos de governança e liderança política interferem no julgamento dos agentes econômicos e investidores. Esse risco pode ser mitigado à medida em que o investidor compra e mantém os títulos até seu vencimento, não optando por vender antecipadamente nenhum deles;

  • Risco de fraude. A atenção aqui deve ser no sentido de escolher uma corretora idônea e com o devido cuidado ao intermediar as operações de compra e venda dos títulos. Todo e qualquer ativo desta classe deve estar custodiado no seu nome, algo que é facilmente confirmado através do acesso direto ao extrato no site do Tesouro Direto e mensagens da BM&F Bovespa, que é quem faz a custódia. Na dúvida, peça esclarecimentos ao atendimento. É bom reforçar que fraudes são raras e costumam ser originadas por operações fraudulentas, cujas características podem ser desmascaradas com simples consultas e perguntas;

  • Risco Brasil. Há risco de oscilações nos preços dos títulos, que em parte pode ser considerado também como risco de mercado, pois as variações possuem uma correlação contrária às expectativas relacionadas às taxas de juros futuros. Preferi classificar como Risco Brasil, pois as mudanças no humor econômico e político afetam também outros ativos de renda fixa, como você verá mais abaixo.

Riscos da caderneta de poupança

A caderneta de poupança é uma das principais escolhas dos poupadores quando o assunto é o primeiro investimento. Sua facilidade, comodidade e liquidez costumam favorecer os primeiros passos, mas sua rentabilidade merece um alerta importante: nos últimos dois anos seu retorno foi inferior ao avanço dos preços (inflação).

Na prática, quem guardou seu dinheiro na poupança perdeu poder de compra, afinal mesmo com o patrimônio crescendo, a velocidade dos preços foi maior no período (IPCA de quase 11% contra retorno de 8,2% da poupança).

Abaixo você entende um pouco mais sobre os riscos da poupança:

  • Risco de crédito (banco pode quebrar). O dinheiro guardado na poupança está em um banco, e esta instituição pode quebrar, o que significa não ter condições de honrar com os compromissos financeiros de seus aplicadores. A poupança conta com a proteção do FGC para até R$ 250 mil, conforme explicarei adiante neste mesmo texto;
  • Risco Brasil. Oferecer rentabilidades menores que o avanço dos preços (inflação) e também abaixo da taxa básica de juros da economia (Selic) representam bem o risco Brasil, e quem “paga” essa conta é sempre o investidor. Por que aplicar o dinheiro e aceitar ganhar menos que outras modalidades de risco semelhante, mas com retorno maior? Pense nisso.

Riscos nos CDBs, LCIs e LCAs

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é um título privado, um investimento que se traduz na captação de recursos por parte dos bancos para empréstimos e operações financeiras. O banco toma dinheiro do investidor e o remunera com um percentual do CDI/Selic ou uma taxa prefixada durante um período combinado.

A Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) são títulos privados de renda fixa lastreados em crédito do mercado imobiliário e do mercado de agronegócio, respectivamente. A ideia é ter dinheiro para desenvolver estes dois mercados, e a captação destes recursos se dá através de investidores em LCI e LCA.

Para o CDB, há incidência de Imposto de Renda (IR) sobre os ganhos, mas também há mais flexibilidade nos retornos oferecidos (alguns bancos menores oferecem mais de 115% do CDI, por exemplo). LCI e LCA não têm cobrança de IR, oferecendo retornos que tem variado de 80% do CDI (bancos grandes) a 100% do CDI (bancos menores e médios).

Tanto o CDB quanto as LCI e LCA também são protegidas pelo FGC, também com o limite de até R$ 250 mil por CPF. Suas rentabilidades variam, mas são em média de 20% a 40% maiores que as da caderneta de poupança, com riscos semelhantes (veja abaixo). É uma diferença considerável, não é mesmo?

Os riscos envolvidos com estas aplicações são:

  • Risco de crédito. Como a captação é feita por um banco, também existe o risco de a instituição financeira quebrar. O ressarcimento do valor investido se dará com o suporte do FGC, respeitado o limite de R$ 250 mil;
  • Risco Brasil. Como a rentabilidade do CDB e das LCI e LCA é associada ao CDI/Selic, a queda ou elevação deste benchmark muda o retorno do investimento. Quanto mais elevada a taxa, melhor o retorno nominal, principalmente em relação à poupança. As reuniões que definem a Selic devem ser acompanhadas porque isso mexe com o retorno do investimento realizado;
  • Risco de liquidez. Investimentos em CDB e LCI/LCA possuem carência, ou seja, o investidor deve concordar em aplicar seu dinheiro por um tempo determinado, não conseguindo sacar antecipadamente o recurso investido (ou sendo penalizado financeiramente por isso). Isso é parte da estratégia de alocação dos recursos e se o investimento é planejado, isso não representa problema (o objetivo definido no tempo é o primeiro passo ao escolher o investimento). Existem CDBs de liquidez diária, que podem ser resgatados a qualquer dia, mas seu retorno costuma ser menor que aqueles que pedem prazos mais longos.

Uma palavrinha sobre o Fundo Garantidor de Crédito

O FGC tem por objetivos prestar garantia de créditos contra instituições dele associadas, nas situações de:

  • Decretação da intervenção ou da liquidação extrajudicial de instituição associada;
  • Reconhecimento, pelo Banco Central do Brasil, do estado de insolvência de instituição associada que, nos termos da legislação em vigor, não estiver sujeita aos regimes referidos no item anterior.

Integra também o objeto do FGC, consideradas as finalidades de contribuir para a manutenção da estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e prevenção de crise sistêmica bancária.

Em outras palavras, caso uma instituição financeira quebre, o investidor terá seu dinheiro devolvido, desde que o montante máximo seja de R$ 250 mil. A explicação para o limite de cobertura e alguns exemplos (conta conjunta, valores por CPF e etc.) podem ser vistas no site do FGC.

Conclusão

Investir com segurança é investir com conhecimento. Ao saber das características de cada aplicação, seus riscos e forma de operação (investimento, liquidez e retirada), você se decide com mais tranquilidade e cuidado, mantendo seus objetivos em mente e respeitando sua condição financeira.

Ao transformar este processo mais consciente de tomada de decisões em um hábito, você certamente começará a vislumbrar resultados financeiros mais consistentes, o que trará mais motivação para aprender mais sobre investimentos, criando o ciclo virtuoso ideal para ter, manter e construir patrimônio. Bons investimentos!

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conrado_navarro-2.jpg  Conrado Navarro é consultor educacional da Rico.com.vc e idealizador do Dinheirama.com 

Topics: Diversifique seus investimentos